E chegamos ao atualmente polêmico (por ter sido não só racista mas um eugenista declarado) Monteiro Lobato e suas obras indicadas por Ana Maria Machado.
A série Sítio do Picapau Amarelo é composta por 23 livros infantis, 21 títulos principais e também uma adaptação do clássico Peter Pan e um volume intitulado Histórias diversas, mas na lista de clássicos Ana Maria Machado indica apenas os 2 citados no título da postagem.
Há alguns anos atrás, quando meu primeiro filho nasceu, nas minhas andanças em feiras de livros, achei uma coleção com 10 livros adaptados da série e claro, trouxe para casa. No entanto nunca havia lido, estava esperando os meninos pedirem mas, como está na lista, eu peguei pra ler a acabei lendo os 10. Deixo aqui um breve comentário dos principais.
OBS: importante ressaltar que não é a melhor versão das obras que são bem longas e detalhadas no original. Essa coleção é bem reduzida e resumida mais com o intuito de apresentação da obra.
O sítio do picapau amarelo
É uma história muito mais descritiva, de apresentação do lugar em que as aventuras acontecem: o sítio de Dona Benta.
Mas se for pra destacar algo, acho que ler a história e ir pesquisando a foto das plantas e dos passarinhos citados lá já seria uma diversão a parte e ampliaria demais o repertório dessas crianças de hoje em dia, que não tem muito acesso a áreas de fazenda!!!
Muito legal!
Narizinho Arrebitado
Narizinho arrebitado é um livro também de apresentação, mas agora dos personagens. Nele são apresentados Dona Benta, a Narizinho, Emília e o Príncipe Escamado, Rei do Reino das Águas Claras.
Neste livro também que Narizinho conhece o Reino das Águas Claras.
Agora não gostei da parte final da história, e acho que em todos os livros acontecem coisas parecidas.
Ao final da história é dado um castigo ao sapo guarda do Reino por ele estar dormindo em serviço.
Acordam ele com um chute, e além da bronca ele é condenado a comer 10 pedrinhas ao invés de 10 moscas... não é violência demais?
Sei que pra época talvez não fosse, mas pra mim, lendo hoje, foi.
As Jabuticabas
Em geral os livros dessa coleção do sítio tem se destacado mais pela descrição de coisas que em maioria não são comum as crianças de hoje.
No caso desse livro: subir na árvore e comer jabuticaba no pé.
Não imagino quantas crianças nunca comeram fruta no pé e nem quantas não conhece jabuticaba.
Essa história também dá um destaque as onomatopeias que pode ser legal para um trabalho em sala de aula.
A pílula falante
Acredito fortemente que essa versão foi resumida demais para uma das histórias que deve ser super engraçada.
Me lembro de adorar a Emília da série porque achava ela muito engraçada e amava o jeitinho dela falar.
Nesse livro é explicado como ele se torna uma boneca falante, graças ao Dr. Caramujo, ou melhor Dr. Cara de Coruja do Reino das Águas Claras, como diria Emília.
E ela vem representando a pessoa que fala o que pensa, e fala geralmente o que todo mundo pensa mas não tem coragem de dizer.
Os trocadilhos dela me divertem demais, como por exemplo, o pequeno Polegar pra ela é o tal polegada.
E pra finalizar deixo uma de suas frases mais marcantes.
Ao receber a pergunta: "a final de contas Emília que você é?"
Ela responde:
"Eu sou independência ou morte!"
O casamento da Emília
Neste livro conta-se do noivado e casamento entre Emília o porquinho que foi intitulado Marques de Rabicó.
A imaginação corre solta e achei muito interessante que fora a parte fantasiosa (vidro que fala, porco que veste roupas e escreve versos de amor, etc.) acontece o casamento numa brincadeira de faz de conta bem nos moldes da minha infância: com partes reais (os doces) e partes imaginárias (convidados representados por toco, tijolos, etc.).
A criança usa a brincadeira de faz de conta para conseguir algo real que deseja.
Me lembrei demais dos aniversários das bonecas que fazíamos na casa da minha avó que tinha que ter bolo e brigadeiro se verdade.
E para terminar esse livro quero deixar um trecho que é muito profundo na análise da nossa sociedade:
"Peço-lhe mil desculpas, senhor Vidro Azul! Emília tem a mania de ser franca. Nunca viveu em sociedade e ainda não sabe mentir. Não é aqui como o nosso Visconde de Sabugosa, que fala, fala e ninguém sabe nunca o que ele realmente está pensando, não é verdade?"
Tia Anastácia e a Sardinha
Assim como no título o principal dessa história é a Dona Anastácia.
Nessa versão não foi citada a polêmica e racista descrição de Dona Anastácia.
Destaca mais a admiração dessa personagem pelas coisas fantásticas (sardinhas falantes por exemplo) e pela crença de só acreditar vendo.
Sem grandes destaques da história pra mim.
Pedrinho e o Saci
Esse livro apresenta o tio Barnabé como um guardião da sabedoria de muitas coisas. Também apresenta o Pedrinho na sua valentia de menino mas com certeza a estrela principal da história é o Saci.
Nele a lenda é apresentada e é muito interessante pra contar para as crianças de hoje que em geral não conhecem. Minha filha mesmo, de 4 anos, disse hoje para sua madrinha que não conhece o Saci. Não conhecia, mas vai conhecer.






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