segunda-feira, 7 de julho de 2025

Leituras 35 e 36: Picapau Amarelo e Narizinho Arrebitado


E chegamos ao atualmente polêmico (por ter sido não só racista mas um eugenista declarado) Monteiro Lobato e suas obras indicadas por Ana Maria Machado.

A série Sítio do Picapau Amarelo é composta por 23 livros infantis, 21 títulos principais e também uma adaptação do clássico Peter Pan e um volume intitulado Histórias diversas, mas na lista de clássicos Ana Maria Machado indica apenas os 2 citados no título da postagem.

Há alguns anos atrás, quando meu primeiro filho nasceu, nas minhas andanças em feiras de livros, achei uma coleção com 10 livros adaptados da série e claro, trouxe para casa. No entanto nunca havia lido, estava esperando os meninos pedirem mas, como está na lista, eu peguei pra ler a acabei lendo os 10. Deixo aqui um breve comentário dos principais.

OBS: importante ressaltar que não é a melhor versão das obras que são bem longas e detalhadas no original. Essa coleção é bem reduzida e resumida mais com o intuito de apresentação da obra.


O sítio do picapau amarelo

É uma história muito mais descritiva, de apresentação do lugar em que as aventuras acontecem: o sítio de Dona Benta.

Mas se for pra destacar algo, acho que ler a história e ir pesquisando a foto das plantas e dos passarinhos citados lá já seria uma diversão a parte e ampliaria demais o repertório dessas crianças de hoje em dia, que não tem muito acesso a áreas de fazenda!!!

Muito legal!


Narizinho Arrebitado

Narizinho arrebitado é um livro também de apresentação,  mas agora dos personagens. Nele são apresentados Dona Benta, a Narizinho, Emília e o Príncipe Escamado, Rei do Reino das Águas Claras.

Neste livro também que Narizinho conhece o Reino das Águas Claras.

Agora não gostei da parte final da história, e acho que em todos os livros acontecem coisas parecidas. 

Ao final da história é dado um castigo ao sapo guarda do Reino por ele estar dormindo em serviço.

Acordam ele com um chute, e além da bronca ele é condenado a comer 10 pedrinhas ao invés de 10 moscas... não é violência demais?

Sei que pra época talvez não fosse, mas pra mim, lendo hoje, foi.


As Jabuticabas

Em geral os livros dessa coleção do sítio tem se destacado mais pela descrição de coisas que em maioria não são comum as crianças de hoje.

No caso desse livro: subir na árvore e comer jabuticaba no pé.

Não imagino quantas crianças nunca comeram fruta no pé e nem quantas não conhece jabuticaba.

Essa história também dá um destaque as onomatopeias que pode ser legal para um trabalho em sala de aula.


A pílula falante 

Acredito fortemente que essa versão foi resumida demais para uma das histórias que deve ser super engraçada.

Me lembro de adorar a Emília da série porque achava ela muito engraçada e amava o jeitinho dela falar. 

Nesse livro é explicado como ele se torna uma boneca falante, graças ao Dr. Caramujo, ou melhor Dr. Cara de Coruja do Reino das Águas Claras, como diria Emília. 

E ela vem representando a pessoa que fala o que pensa, e fala geralmente o que todo mundo pensa mas não tem coragem de dizer.

Os trocadilhos dela me divertem demais, como por exemplo, o pequeno Polegar pra ela é o tal polegada.

E pra finalizar deixo uma de suas frases mais marcantes. 

Ao receber a pergunta: "a final de contas Emília que você é?" 

Ela responde:

"Eu sou independência ou morte!"


O casamento da Emília

Neste livro conta-se do noivado e casamento entre Emília o porquinho que foi intitulado Marques de Rabicó.

A imaginação corre solta e achei muito interessante que fora a parte fantasiosa (vidro que fala, porco que veste roupas e escreve versos de amor, etc.) acontece o casamento numa brincadeira de faz de conta bem nos moldes da minha infância: com partes reais (os doces) e partes imaginárias (convidados representados por toco, tijolos, etc.). 

A criança usa a brincadeira de faz de conta para conseguir algo real que deseja.

Me lembrei demais dos aniversários das bonecas que fazíamos na casa da minha avó que tinha que ter bolo e brigadeiro se verdade.

E para terminar esse livro quero deixar um trecho que é muito profundo na análise da nossa sociedade:

"Peço-lhe mil desculpas, senhor Vidro Azul! Emília tem a mania de ser franca. Nunca viveu em sociedade e ainda não sabe mentir. Não é aqui como o nosso Visconde de Sabugosa, que fala, fala e ninguém sabe nunca o que ele realmente está pensando, não é verdade?"


Tia Anastácia e a Sardinha 

Assim como no título o principal dessa história é a Dona Anastácia.

Nessa versão não foi citada a polêmica e racista descrição de Dona Anastácia. 

Destaca mais a admiração dessa personagem pelas coisas fantásticas (sardinhas falantes por exemplo) e pela crença de só acreditar vendo.

Sem grandes destaques da história pra mim.


Pedrinho e o Saci

Esse livro apresenta o tio Barnabé como um guardião da sabedoria de muitas coisas. Também apresenta o Pedrinho na sua valentia de menino mas com certeza a estrela principal da história é o Saci.

Nele a lenda é apresentada e é muito interessante pra contar para as crianças de hoje que em geral não conhecem. Minha filha mesmo, de 4 anos, disse hoje para sua madrinha que não conhece o Saci. Não conhecia, mas vai conhecer.




sexta-feira, 4 de abril de 2025

Leitura 34: Moby Dick

 


Semanas atrás fiz uma viagem pra longe, de carro, e não poderia perder essa oportunidade preciosa para por as leituras em dia.

Não dava tempo de comprar os livros.

Me lembrei então da Biblioteca do Circo e em menos de 10 minutos achei 3 opções.

Levei as três e a primeira escolhida para a leitura foi Mob Dyck. E foi a escolhida porque poucos dias antes eu tinha visto uma menina falando nos stories do Instagram que era o livro preferido dela e a propagando vocês sabem... É a alma do negócio. 

É mais um livro envolvendo o mar, e eu gosto. 

O livro já é m interessante desde o começo e vai te envolvendo na história de forma que você não quer parar de ler.

A apresentação dos personagens deixa no ar que a aventura vai ser daquelas boas....

A história enfatiza não só a luta física entre dois inimigos mas o embate mental,o que dá profundidade ao enredo.

No entanto, chega um momento da história que você já sabe o final.

E o que mais me decepcionou foi que o final deixa sem a devida repercussão personagens muito interessantes que foram apresentados com detalhes no início da história.

Terminei a leitura frustrada.

Mas tá aí, mais um livro lido, menos um livro na lista do desafio.

domingo, 30 de março de 2025

Leitura 33: Viagem ao Centro da Terra

 


Terceiro livro do Júlio Verne da lista lido e eu digo sem receio que é um dos meus autores favoritos. 

Esse livro eu comprei usado de uma menina que conheci nos tempos de blogueira de moda (é, pois é, já fui!).

Ela estava desapegado de alguns livros e por coincidência (ou não) tinhama alguns da lista de Clássicos.

Li o Volta ao Mundo em 11 dias primeiro, e é o meu preferido. Leia o que escrevi sobre ele aqui.

Depois li Vinte Mil Léguas Submarinas, que é o maior. Leia o que escrevi sobre ele aqui.

E aí ficou esse, Viagem ao Centro da Terra.

Já havia iniciado ele uma vez, mas não me lembro porque não prossegui. Essa vez a leitura engrenou sem nenhuma dificuldade.

É mais um livro muito envolvente do Júlio Verne e você não consegue parar de ler porque quer saber o final.

Tem muitas partes científicas, nome de metais, pedra, épocas geológicas, etc.

Mas é um livro curto e muito intenso que essas descrições não atrapalham.

Eu não quero dar spoiller mas é mais um livro de desfecho inusitado e recomendo do demais a leitura.

segunda-feira, 17 de março de 2025

Leitura 32: O velho e o mar


Como já contei antes, alguns livros eu não procuro, eles chegam a mim de alguma forma peculiar.

O que reforça o fato de que são clássico, porque estão sempre por aí, nos lugares, para as pessoas.

O Velho e o Mar, de Ernest Hemingway chegou pra mim na mudança de casa da minha mãe, entre os livros que estávamos selecionando para ir, ficar, doar, etc...

Foi o primeiro da retomada do meu desafio de ler todos os livros citados pela Ana Maria Machado em seu livro Como e Porque Ler os Clássicos Desde Cedo.

É o segundo livro com o tema "mar" da lista que eu leio. O primeiro foi Vinte Mil Léguas Submarinas e já escrevi sobre ele no blog (leia clicando aqui)

Neste, O velho e o Mar, não é necessariamente o mar o tema principal, e sim o velho.

É uma história fácil de ler, de compreender. Tem um enredo simples, e envolvente, daqueles que você quer saber o final.

Em uma leitura superficial, a história não tem nada a mais que a aventura de um pescador, mas as reflexões do velho, no mar, são na verdade profundas e trazem temas como: relação com a natureza, a velhice, solidão, foco, objetivo, resiliência e paciência.

Muito interessante algumas informações sobre pesca, que não vem tão detalhada mas que trás a complexidade não aparente dessa atividade à tona. No entanto, gasta-se bastante tempo do texto com isso, ou seja, para quem não é um amante da pesca fica meio chato.

Pro meu estilo literário de preferência, foi um pouco decepcionante o final.

Mas sem dúvida uma bela obra.

quarta-feira, 12 de março de 2025

Leitura 31: O Fantástico Mistério de Feiurinha

Foi com esse volume aí, velhinho, surradinho, que finalmente pude conhecer a Feiurinha. 

Se alguém estudou em escola pública, por volta do ano de 1997 vai se lembrar desse projeto que distribuiu uma coleção de 4 livros clássicos para todas as crianças. Me lembro bem porque sempre amei ganhar livros.

Por mais incrível que pareça, eu nunca tinha lido essa obra de Pedro Bandeira, o Fantástico Mistério de Feiurinha.

E antes de falar da história em si, preciso falar sobre o volume.
Encontrei-o final do ano passado, por acaso, entre as obras da biblioteca do Circo Laheto (Pois é,  tenho essa sorte de trabalhar onde tem biblioteca).

Me lembrei imediatamente da minha queridíssima professora Eliana Gabriel falando sobre essa história nos tempos de grupo de estudo GEPELIN (UFG) lá em 2009, e mesmo assim nunca tinha lido.

Enontrei-o e decidi ler mesmo sem saber que estaria entre os livros indicados pela Ana Maria Machado como um clássico. 

Li porque queria conhecer a Feiurinha.

Agora sim, sobre a história, é um conto de fadas no estilo bem convencional mesmo (que eu amo), mas com pitadas inovadoras que deixa tudo muito mais interessante.

Explora o tema "o que acontece depois do felizes para sempre das princesas" e quem nunca quis saber isso depois que deixou de ser criança né?

A história é escrita em teatro, o que exige certa habilidade leitora para melhor compreensão em se tratando de crianças mas rende uma bela contação de história para qualquer idade.

Não posso falar muito para não dar spoilers mas, claro, recomendo a leitura.

Para trabalhar com alunos, recomendo que a história das outras princesas citadas no enredo sejam apresentadas antes.

quinta-feira, 6 de março de 2025

Leitura 30: 1984


Esse livro foi dos que chegou por vias tradicionais, comprei em uma feira de livros junto com o Revolução dos Bichos do mesmo autor e que inclusive li primeiro.

A escolha foi meio intuitiva. 

Alguma coisa me dizia que 1984 seria mais denso e profundo.

E como foi.

1984, de George Orwell, fala sobre um futuro distópico marcado pelo totalitarismo e manipulação da verdade (te lembra alguma coisa?).

Tive várias sensações, que em geral dão aquele mal estar, com pensamentos do tipo:

76 anos atrás alguém imaginou que chegaríamos nessa situação e nós não conseguimos mesmo evitar?

Pois é, não conseguimos.

O livro é muito envolvente. Muito denso, mas envolvente. 

Consegue trazer um meio romance de uma forma muito improvável num contexto de tensão que aborda o totalitarismo, a vigilância em massa e a lavagem cerebral da sociedade.

Eu não consegui parar de ler, embora em alguns momentos senti repulsa e vontade de parar, como por exemplo, nas descrições da violência da tortura. 

Sem muitos spoilers, mas o final não foi tão aceito por mim, tanto que tive que conversar com uma pessoa que também leu pra saber se eu tinha entendido certo. 

Leia-se: não queria acreditar em como a história tinha acabado.

Enfim, recomendo a leitura para interessados em politica, sociologia, filosofia, historia, e toda essa parte que se propõe a fazer análises críticas da sociedade.

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2025

Leitura 29: Chapeuzinho Amarelo

 



Eu não imaginava que a Ana Maria Machado consideraria esse livro um clássico, mas mesmo antes de saber que ele estava na lista eu já considerava ela uma leitura obrigatória em sala de aula porque eu amo trabalhar um conto de fadas e outras versões da mesma história.

Chapeuzinho Amarelo é um livro do Chico Buarque de Holanda com ilustrações do Ziraldo e faz uma brincadeira com o amarelo e com o Lobo.

O livro foi escrito em 1979, ainda no período da ditadura militar, um momento de falta de liberdade e sobre isso há uma alusão que só sabendo desse contexto é possível fazer referência: "O medo do medo".

A independente do contexto esse tema é incrível: temos não só medo. Mas temos medo do medo. Medo de sentir medo.

Não posso falar muito porque qualquer tanto vira um spoiller mas como professora digo que dá pra trabalhar muitas questões como: releitura, rimas, medo e coragem, jogo de sílabas e palavras.

Como leitora digo que a história é surpreendente e divertida.

Enfim, não poderia não ser um clássico.